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O 7 de Setembro de 1995, Binyamin Netanyahu, daquela candidato a Primeiro Ministro, fixo a seguinte afirmação durante a sua visita a Hebron:


“O assentamento judeu estará em Hebron de forma permanente. Se alguém intenta que isto não seja assim, eu e os meus amigos estaremos aquí, e haverão de botar-nos fóra também. Seria um gravíssimo erro estabelecer centos de polícias palestinianos aquí, deixando um área reduzida para os judeus e para que operem as IDF. De produzir-se um conflito, as IDF não seriam capazes de reagir e chocariam enseguida com as forças palestinianas. Isso seria uma prescripção para uma tragédia. Só pode haver uma força de seguridade, e debe ser as IDF”.


O 13 de Maio de 1996 declarou que “deveríamos reorganizar até o último assentamento. Hebron supõe um problema muito grande. É o assentamento judeu mais antigo do mundo, e a sua comunidade judea está em grave perigo. Todos lembramos o que se passou em 1929. É preferível que uma questão tão delicada seja tratada ao final do processo de conversas”.


A começos de 1997, durante uma conferência de imprensa sobre os Acordos de Hebron, Netanyahu proclamou que os conceitos ideológicos com os que crecera, e nos que acreditara, “já não dam para mais”, necessitando-se tomar “duras decisões” e criar um espaço intermédio “entre a visão e a realidade. Isso é liderádego”.


O 14 de Janeiro de 1997, o Primeiro Ministro Netanyahu, junto com Yasser Arafat, asinaram os Acordos de Hebron, que entraram em vigor seis dias depois. Aqueles acordos dividiam Hebron em dois seitores, deixando mais do 80 % da cidade sob o controlo policial da Autoridade Palestiniana. Entre os territórios abandoados estavam as Colinas de Abu-Sneneh, dominando a comunidade judea do sul de Hebron, e Harat al-Shech ao norte. Foi desde estes premontório desde onde os francotiradores de Arafat aterrorizaram Hebron ao longo de dois anos e meio, disparando noite e dia contra os apartamentos e caravanas dos judeus, assim como contra os carros e as próprias pessoas mentres caminhavam pela rua. Abu Sneneh converteu-se num enclave infame a raíz do assassinato da criança de dez meses de idade, Shalhevet Pass, oito anos atrás.


A Comunidade Judea de Hebron segue baixo ataque desde várias frontes. Só há uns meses, o Ministro de Defesa saínte, Ehud Barak, ordeou a expulsão forçosa das famílias de Beit HaShalom, a pesar da carta asinada por mais de 50 membros da Knesset e dirigida, tanto a ele como ao Fiscal Geral Menachem Mazuz, exigindo que se pospugesse o desalojo até passadas as eleições e uma vez examinadas novas evidências do caso.


A Corte Suprema Israeli segue permitindo às organizações de extrema esquerda, como Shovrim Shtika [Rompendo o silêncio] e Bnei Avraham, incitar aos árabes de Hebron contra a comunidade judea, baixo a máscara do que eles denominam “visitas guiadas”, a costa do erário público. Em palavras do fiscal Sherman, representante do Estado, essas “visitas guiadas” supõem o despregue de enormes quantidades de polícia e forças armadas para garantir a sua seguridade. Porém, não diz nada do que a própria polícia define como “ostensíveis provocações” que conduzem a um incremento do malestar e a violência em Hebron.


Estes “tours” têm lugar a costa das liberdades civis dos residentes de Hebron. A polícia fecha rutinariamente as ruas de Hebron ao trânsito judeu, devido às “visitas” da troupe esquerdista à cidade. O outro dia um residente de Hebron foi parado pela polícia e não se lhe permitiu acceder à sua caa em Tel Rumeida porque uma excurão de esquerdistas estavam visitando naquele momento a uma família árabe do bairro.


Para além disso, o 99’7 % de Hebron está vetado aos judeus. E, por certo, os grupos judeus são constantemente disuadidos de fazer “visitas guiadas” similares em cidades como Um el-Fahm.


A violência árabe em Hebron é permanente. Quase a diário, lançam pedras contra os carros com matrícula israeli que circulam entre Hebron e Kiryat Arba, ferindo aos condutores e passageiros, e causando graves danos nos veículos. Dois meses atrás, duas rapazas judeas foram atacadas e intentadas violar por um grupo de árabes nesta estrada. Adicionalmente, terroristas árabes armados com coitelos são interceptados todas as semanas junto a Tumba dos Patriarcas. Durante os interrogatórios, admitem que o seu objectivo é apunhalar e matar israelis. Apenas há uns meses, uma terrorista esteve a ponto de quitar a vida a um oficial da polícia perto de Ma'arat HaMachpela.


Ao mesmo tempo, representantes de Hebron e Kiryat Arba têm sido informados pelo Mando Central das IDF que “Tzir Tzion” [a Estrada de Sion], que começa um kilómetro ao norte da entrada de Kiryat Arba e cruza Hebron, será aberta em breve ao tráfico rodado árabe. A última vez que os controlos nesta estrada foram eliminados –permitindo-se a livre circulação de veículos árabes por ela- dois israelis foram assassinados no lapso de 12 horas: o contratista David Cohen e o concelheiro de Kiryat Arba, Hezzy Mualem. Esta é a única via que conecta Hebron a Kiryat Arba, e daí a Jerusalém, e viceversa. Desgraçadamente, Israel tem sido testigo dum novo tipo de terrorismo durante o ano passado –a utilização de veículos suicidas. A reapertura desta estrada é uma convidação para trasladar esta modalidade terrorista aos vizinhos de Kiryat Arba-Hebron e aos centos de milheiros de visitantes que tem esta área anualmente.


Como tem pensado reagir ante estas ameaças o próximo Primeiro Ministro Binyamin Netanyahu? Qual vai ser a sua actitude face a comunidade judea de Hebron?


A decisão governamental que aprovava os Acordos de Hebron em 1997 incluia a seguinte cláusula: “O Governo agirá para garantir todas as condições e requisitos necessários para a existência, seguridade e consolidação da comunidade judea de Hebron”. Manterá Netanyahu a sua promesa? Proporcionará plena seguridade aos residentes e Hebron? Aprovará uma normativa que permita aos judeus construir nas suas propriedades? Aprovará que os judeus poidam adquirir legalmente propriedades dos árabes que desejem vendê-las?


Não há muito tempo, o Presidente Shimon Peres, falando sobre a destrucção de Gush Katif, dixo durante a visita aos líderes judeus nos EEUU: “Eu era partidário de abandoar Gaza. Agora dou-me conta de que foi um erro…Passe o que se passe no futuro, não volveremos cometer os erros derivados de abandoar Gaza”.


Que poderia haver mais adequado que o Primeiro Ministro Netanyahu, situado nas escaleiras que levam à Tumbas dos Patriarcas judeus, admitindo que os Acordos de Hebron –que dividiram Hebron- foram um grave erro pela sua banda, e garantindo que nunca mais implementará políticas que ponham em perigo a existência da comunidade judea de Hebron? E prometer medidas concretas que forneçam da máxima seguridade à primeira cidade judea da Terra de Israel.


DAVID WILDER


16 Adar 5769 / 12 Março 2009



O GRANDE AGUILHÃO IRANIANO


Mentres os nossos soldados estám combatendo no campo de batalha, é dificil exprimir críticas de qualquer índole. Mas ressulta da máxima importância saber e analisar que o presente cenário bélico não deriva só do lançamento de mísseis sobre as cidades do sul. Por suposto, qualquer nação soberana debe impedir que os seus cidadãos sejam atacados dia tras dia, semana tras semana, ano tras ano sem oferecer uma resposta.

Sem embargo, isto é precisamente o que não figeram os sucessivos Governos, começando na guerra de Oslo, também conhecida como a 2ª Intifada. Pelo contrário, nos finais dos anos oitenta, durante a 1ª Intifada, quando os israelis eram apedreados, bombardeados e tiroteados, as reacções governamentais foram, quando menos, pouco entusiastas.

Com o inícoio da 2ª Intifada na véspera de Rosh Hashana do 2000, o Governo ignorou os ataques contra os seus cidadãos, especificamente contra aqueles que viviam em Judea, Samaria e Gaza. Em Hebron, os árabes dispararam aos judeus desde as vizinhas Abu Sneineh e as colinas de Harat a-Shech durante mais de dois anos.

A IDF tinha ordes estritas de não reconquistar as colinas, o que teria rematado com o permanente tiroteio.

Em Gush Katif, milheiros e milheiros de lançamentos de morteiro cairam nas comunidades judeas. A resposta a estes ataques nem sequer foi ténue; simplesmente não foi.

Portanto não ressultou surpresivo que os dirigentes do país nem moveram as pestanas quando os terroristas de Hamas, utilizando os próprios territórios que lhes foram entregados pelo Estado de Israel, começaram a bombardear Sderot.

Não nos surprendeu que começassem a cair mísseis sobre Ashkelon e Ashdod ; esses ataques já foram vaticinados antes da evacuação de Gush Katif.

Aqueles de nós que avisáramos desses ataques éramos ignorados ou chamados “profetas agoreiros”. No melhor dos casos, chamavam-nos “inimigos da Paz”.

A batalha actual não gira só arredor da auto-defesa. Muito mais importante, é o retorno do nosso orgulho nacional, do convencimento de que este é o nosso país, esta é a nossa terra e devemos fazer e fazeremos o que for preciso para proteger aos nossos cidadãos e preservar a nossa soberania.

Isto, para além da dor que ada uma das baixas supõe –sobretudo sabendo que não teria porque ter sido assim, que não tínhamos a obriga de abandoar Gush Katif e que não tínhamos porque consentir que Hamas se rearmasse com mísseis que têm paralisado todo o sul do país.

Mas isto é, quiçá, uma pequena parte de todo o dano que se nos tem feito.

Velaqui algumas perguntas analíticas:

1. Por que aceitou Hamas, inicialmente, um alto o fogo seis meses atrás?

2. Por que Hamas –só há umas semanas- rechaçou renovar o alto o fogo?

3. Por que Hamas, sabedora de que Israel chegaria um momento em que não teria mais remédio que responder, disparou centos de projectis?

4. Por que tem rechaçado Hamas um alto o fogo, a pesar da destrucção massiva e a perda de vidas em Gaza?

A resposta é provavelmente muito simples.

Os nossos vizinhos árabes não são estúpidos como nos gostaria pensar que são. Qual é a autêntica ameaça existencial para o Estado de Israel hoje em dia? A ameaça nuclear iraniana. Os iranianos, de igual maneira que construem um reactor nuclear, sabem lêr um calendário. Sabem que o 20 de Janeiro, George W. Bush deixará de ser Presidente dos EEUU e será reempraçado por Barack Obama. Sabem que Israel preferiria deixar “solucionado” o problema iraniano antes da transição presidencial, sabedores de que Bush seria muito mais partidário de dar luz verde a uma ofensiva do que o será o novo Preseidente Obama. Como evitar um ataque preventivo?

Iran é o principal abastecedor de fundos a Hamas. Os líderes iranianos dixeram a Hamas: “Vades-vos sacrificar por uma razão elevada –a destrucção do Estado judeu”. Hamas recebeu orde de assinar um alto o fogo e depois rompê-lo para manter a Israel ocupada no sul, mais que com o norte.

Israel não vai afrontar um conflito armado em duas frontes simultâneas. Os ataques massivos com mísseis sobre as cidades obrigariam a Israel a respostar, mas evitariam um ataque contra Iran. Provavelmente Iran tenha prometido a Hamas que será recompensada por todo o dano que está a sofrer.

Para além de tudo, as fotografias dos mortos são uma impagável propaganda que recebem através dasemissões da CNN e a BBC.

Noutras palavras, a presente guerra não é nem mais nem menos que uma grande operação-aguilhão de Iran, para evitar que Israel tenha a tentação de destruir as suas instalações nucleares antes do 20 de Janeiro, ao custe duns milheiros de edifícios e uns centos de vidas árabes em Gaza. Este é, provavelmente, o autêntico preço a pagar pela “desconexão” de Gush Katif.

DAVID WILDER

17 Tevet 5769 / 13 Janeiro 2009

O EXTREMISMO ENGENDRA EXTREMISMO


Com motivo da expulsão das famílias de Beit HaShalom em Hebron, durante uma entrevista com a BBC, fui perguntado pelos nossos planos de futuro. Quando respondim que a comunidade seguiria intentando adquirir propriedades em Hebron, o entrevistador perguntou, “Mas isso não provocará mais violência?”. E eu respostei, “Se eu comprar uma casa em Londres e se me dixesse que um judeu adquirindo propriedade ‘nessa parte da cidade’ provocaria uma reacção violenta, como julgaríamos essa admonição? Provavelmente como ántisemitismo e razismo. Por que, daquela, um judeu não pode adquirir propriedades em Hebron, de igual maneira que a gente adquire fogares em qualquer parte do mundo?”.

Outra pergunta muito repetida que tivem que respostar dos jornalistas foi, “Não opina que tudo isto está fóra de controlo?”. A minha resposta é muito simples: “Por suposto que está totalmente fóra de controlo. Mas essa não é a questão. A questão é QUEM está fóra de controlo?”. E, na minha opinião, os que têm perdido o controlo são as instituições democráticas que foram designadas para proteger aos cidadãos de dirigentes despóticos.

Seguindo com a adquisição de Beit HaShalom, por perto de 1 milhão de dólares, a comunidade de Hebron tem-se situado sob o ataque de numerosas frontes. Abruptamente a questão da legitimidade da nossa presença no edifício foi derivada aos tribunais. A decisão inicial dos tribunais apoiava de forma bastante firme a nossa reclamação de evitar a expulsão imediata. Porém, foram impostas severas restricções, incluíndo a denegação de instalar janelas e o abastecimento do suministro eléctrico municipal de Hebron. Só no meio duma descomunal treboada de neve o Ministério de Defesa accedeu à instalaçãod e janelas no edifício durante o passado inverno.
Dada a trascendência política do caso, achamo-nos de imediato enfrontados à comissão de Corte Suprema julgando os vários aspectos afectados. A comissão estava composta pela Presidenta da Corte Suprema, Dorit Beinisch, e os juízes Edmond Levy e Uzi Fogelman. Levy é religioso. Aproveitando um descanso na audiência da Corte, Beinisch cambiou a composição da comissão, sacando a Levy e Fogelman e reempraçando-os pelos juízes Ayala Procaccia –conhecido por ser um dos juízes mais ultraesquerdistas da Corte- e Salim Joubran –o único juíz árabe da Corte. Beinisch, devemos destacar, não é famosa pelas suas opiniões ideológicas de direita. Dois juízes de esquerda e um árabe, portanto, decidindo a sorte dos judeus residentes em Beit HaShalom. Se isso não é um cenário amanhado, nada o é. Assim o dixo o juíz retirado da Corte de Distrito, Uzi Struzman, qualificando a decisão final da Corte como ostensivelmente política.

Nessa decisão, a Corte determinava que não entrava a examinar as evidências apresentadas, incluíndo as provas de autenticação dos documentos legais de venda, um vídeo do vendedor recebendo e contando o dinheiro recebido pelo edifício, e uma gravação de áudio da sua descripção do trato e a recepção do dinheiro.

O Fiscal Geral, Menachem Mazuz, quanto se apresentaram as novas evidências no caso –concretamente a fita de áudio- negou-se a reunir-se com os advogados da comunidade ou examinar a devandita prova.

O Ministro de Defesa, Ehud Barak, anunciou só há duas semanas a sua intenção de legalizar todas as construcções ilegais dos beduínos no sul do país. Inclusso deu a orde de expulsar a todos os residentes do edifício, no meio de negociações a alto nível já muito avançadas, que teriam permitido evitar a brutal confrontação.

Estes são exemplos de nada menos que terror –terror administrativo, utilizado pelos escalafões mais altos das instituições democráticas do país para favorecer os seus próprios interesses políticos contra cidadãos leais ao Estado, neste caso residentes da comunidade judea de Hebron.
Tras a reacção violenta à extremadamente feroz expulsão –que incluiu o uso de gases lacrimôgenos e granadas paralisantes, fum perguntado pelas “linhas vermelhas” –e a decisão de cruzar as “linhas vermelhas”. Para desgraça nossa, na actualidade asistimos a situações onde o Governo está cruzando todas as linhas vermelhas que existiam com anterioridade. A transformação do sistema judicial –incluñindo o Fiscal Geral e a Corte Suprema- numa extensão articulada da luta política sepulta toda noção de imparcialidade ou objectividade.

Os residentes em Hebron frequentemente são etiquetados de extremistas. Sem embargo, nada resulta mais extremo que as acções acima descritas de Mazuz e Beinisch. Mas, devido à sua posição e ideologia política, o seu extremismo é considerado legítimo.

Sejamos claros. A comunidade judea de Hebron opõe-se e rechaça qualquer acto violento contra pessoas inocentes, sejam árabes, judeus ou qualquer outros. Porém, é impensável e intolerável que os máximos dirigentes de Israel podam cambiar as regras no meio do jogo agardando que a outra parte sega jogando com as velhas, mentres eles jogam com as novas. Esse tipo de acções, das que temos sido recentemente testigos, colocam inquestionavelmente a um grande segmento da população contra uma esquina sem saída, criando uma situação perigosamente imprevissível. A paz leva à paz, mas pelo mesmo, o extremismo engendra extremismo.

O autêntico perigo para a sociedade israeli não é uma dúzia de rapazes arrojando pedras mentres são violenta e ilegitimamente expulsados de uma casa em Hebron. A autêntica ameaça para o nosso país é a destrucção das instituições básicas, cujo motivo de ser se supõe que é proteger à gente mais que a aterrorizar. As decisões tomadas respeito a Beit HaShalom não estiveram baseadas na justiça, senão no puro terror judicial..


DAVID WILDER

12 Kislev 5769 / 9 Dezembro 2008

*Lembramos que David Wilder é portavoz oficial da comunidade judea de Hebron.



Um professor da Universidade de Bar Ilan, autêntico experto em temas antigos, investigou o valor equivalente de milheiros de moedas de prata tempo atrás. Concluiu que o preço que o nosso patriarca Abraham pagou por Ma'arat HaMachpela, as covas onde os Patriarcas e Matriarcas estám enterrados, foi de quatrocentos shekels de prata, aproximativamente –ao câmbio actual- uns 750.000 $. Quer dizer, algo menos do que Morris Abraham * e o seu pai Mickey pagaram por Beit HaShalom em Hebron.
Beit HaShalom, (a “Casa da Paz”, em espanhol) é uma estrutura enorme, de 40.000 pés quadrados, que se alça justo acima da estrada principal que une Hebron e Kiryat Arba. Quando se soubo que o proprietário árabe do edifício, há uns cinco anos, o ía pôr em venda, e chegou aos ouvidos da família Abraham, fechou-se o trato.
Bom, não completamente. Levou uns quantos anos até a actualidade completar a transacção. Que os judeus adquiram propriedades dos árabes em Hebron não é algo que aconteça cotidianamente, e não resulta fázil de levar a cabo. É um assunto que requere, entre outras coisas, uma tremenda quantidade de dinheiro, excelentes advogados, dispor de muito tempo, nervos de platino e, sobretudo, uma imensa quantidade de ajuda divina.
Graças a D’s, chegou todo junto, e arredor de 20 meses atrás, tendo recebido a luz verde dos asistentes jurídicos, os residentes da comunidade judea de Hebron trasladaram-se.
Não foi fázil. Literalmente desde o momento em que nos trasladamos, já havia alguém intentando que marchassemos. Estavam os que diziam que roubáramos o edifício ao proprietário árabe. Outros que diziam que não lhes importava se o conqueríramos legalmente ou não. Os judeus não podem estar em Hebron. Ponto. Botade-os fóra!
Porém, contamos com uma multidão que nos apoiou. Antetudo, o edifício foi adquirido legalmente. Num momento dado, a comunidade proporcionou uma gravação de vídeo com o árabe contando o dinheiro que vinha de receber. (Quando mais tarde negou o trato durante a investigação policial, e a polícia amosou-lhe o vídeo, exclamou, “posteriormente anulei o acordo e devolvim-lhes o dinheiro!”).
O mando geral da IDF em Hebron estava frenético, dado que o edifício está situado numa posição sumamente estratégica, dominando desde arriba todo Kiryat Arba, justo no cruze de estradas, e a maioria de Hebron. Uma primeira investigação policial dos documentos corroborou que eram autênticos. Os documentos eram autênticos.
Mas o peso dos factos não significa demassiado em Israel. Um tribunal declarou que havia suficientes evidências para denegar que fôssemos desalojados, mas também interrogantes avondo como para aconselhar que “tudo seguisse igual”. Assim que se decretou um status quo. Podemos ficar, mas sem realizar modificação alguma no edifício. Isso significaria, por exemplo, que não se podem instalar janelas nos ocos vazios das paredes. Nem proporcionar ao edifício subministro da rede eléctrica de Hebron. Em vista do qual, mentres o inverno se aproxima, os inquilinos deverão preparar-se para passar um pouco de frio. Funcionava um pequeño generador, dotando uma mínima quantidade de energia eléctrica para que as estufas segam funcionando. Mas uma casa sem janelas, durante uma treboada de neve, é como uma folha numa ventisca. As grandes lonas de plástico, em lugar de cristais, não servem para cumprir o cometido.
Por último, no meio de uma treboada de neve, e como resultado da massiva pressão pública, os ministros do gabinete começaram a petar na mesa do Ministro de Defesa Ehud Barak, exigindo que o Governo autorizasse a colocação de janelas de maneira imediata. A pressão funcionou, e finalmente colocaram-se. Contudo, proibiram instalar persianas ou postigos; já seria demassiado. Mas às janelas deu-se-lhes o visto bom.
A esquerda, longe de renunciar na sua inquina, intensificou os esforços para expulsar aos residentes judeus do edifício. De súpeto, a polícia decidiu que muitos dos documentos de venda estavam falsificados, negando-se, sem embargo, a revelar quais concretamente. Finalmente o tribunal obrigou a permitir que a comunidade tenha uma oportunidade de defender-se e não terão mais remédio que concretar que documentos estavam baixo suspeita. A comunidade, através dum antigo oficial de polícia, experto em assuntos desta índole, disipou fazilmente qualquer dúvida sobre a autenticidade dos papeis.
Numa recente audiência na Corte Suprema, os juízes (dois dos membros mais esquerdistas do tribunal junto com um juíz árabe, asignados ao caso), acussaram à comunidade de “arrebatar o edifício pela força” aos seu proprietário árabe. Como resposta, a comunidade ofereceu aos magistrados uma surprendente prova: a gravação de áudio do proprietário árabe dizendo, em linguagem coloquial, que vendia o solar e a câmbio recebia também uma grande compensação pelo edifício. Para além disso, declarava que se achava sob uma grande pressão das forças de inteligência da Autoridade Palestiniana para “modificar o relato”.
A semana passada a Corte Suprema anunciou a sua decisão: ignorar os factos do caso, impedir que se volva contra os seus interesses políticos. Anunciaram que não se sentiam vinculados pela decisão do Governo anterior de expulsar do edifício aos residentes até que a questão da propriedade se decidisse num tribunal inferior. Davam à gente que vive ali 72 horas para abandoar por vontade própria. De não o fazer de maneira voluntária, o governo teria, daquela, permisso legal para expulsá-los.
Mentres escrevo estas linhas, novas famílias e muitos jóvenes estám despraçando-se a Beit HaShalom, a fim de reforçar a presença judea no edifício, que pertence claramente à comunidade dos judeus de Hebron. Uma família –Nahum e Revital Almagor, e a sua filha de 15 anos- vinheram desde Brooklyn para participar na luta pelo edifício.
A semana passada, um juíz retirado, Uri Struzman, criticou acidamente o proceder da Corte Suprema, qualificando-a de política e de farça. Outro juíz retirado da Corte Suprema, Ya’akov Turkal, dixo que a decisão da Corte não ecigia que as famílias fossem desalojadas do edifício, senão que o Governo os poderia desalojar, se assim o desejava. Noutras palavras, que a decisão de expulsão fica nas mãos do Ministro de Defesa Ehud Barak e do Primeiro Ministro Ehud Olmert.
Pelo momento, as numerosas famílias do edifício: homens, mulheres e crianças, estám desejosos de plantar cara a um frio inverno; (agardamos que o custe de acondicionar Beit HaShalom para este inverno ascenda a 150.000 $ -dinheiro que a comunidade actualmente não tem- mas não têm intenção alguma de abandoar o seu amado fogar, Beit HaShalom, o edifício que Morris Abraham deu ao povo judeu de Hebron. Uma representação municipal de homens e mulheres de Hebron e Kiryat Arba, e outros activistas, têm anunciado que o grupo não iniciará nenhum tipo de actos violentos contras as forças de seguridade israelis, mas que no caso de que intentem expulsá-los oferecerão uma resistência feroz. Porém, o nível de violência será determinado pelas forças de expulsão. O membro da Knesset, Uri Ariel, falando numa assembleia de emergência com a comunidade a semana passada, diante de mais de um milheiro de pessoas, afirmou rotundamente que se os residentes são atacados e golpeados, têm o direito de legítima autodefesa.
O passado Shabat perto de 25.000 pessoas visitaram Hebron, para escuitar o relato da Torá que conta como Abraham Avinu adquiriu as Covas de Machpelah 3.800 anos atrás. Muitas dessas pessoas também visitaram Beit HaShalom, manifestando o seu apoio e ânimo. Que adequado que uma família chamada Abraham adquira um edifício por quase o mesmo preço que Abraham Avinu pagou por Ma'arat HaMachpela, um troço de propriedade a pouco mais de cinco minutos da primeira terra adquirida pelos judeus no território de Eretz Yisrael.


DAVID WILDER
Kislev 1 5769 / 28 Novembro 2008

* Morris Abraham é um empressário judeu-americano de 40 anos membro da comunidade judea de New York. O seu avó residia em Hebron durante a massacre árabe de 1929.

SHABAK SHALOM


Existem sucessos que podem ser obviados, Outros, bem, tes que estar ido para ignorá-los. Nestes enquadra-se o ataque a noite passada contra o Professor Zeev Sternhell em Jerusalém.
Antes de seguir, duas pontualizações:

1. (Para evitar que me metam no cárcere): Não acredito em ir deixando bombas na casa da gente. Estou em desacordo.
2. Zeev Sternhell, mais que ser galardonado com o Prémio Israel, deveria ser encarcerado por incitação. No artigo publicado em Ha'aretz o 11 de Maio de 2001 escreveu: "Não há dúvida respeito à legitimidade da resistência armada nos territórios. Se os palestinianos tivessem um pouco de sentido comum, deveriam concentrar a sua luta contra os assentamentos..."

e

"O fascismo não pode ser detido com argumentos racionais. Só pode ser detido pela força, e quando existe risco de guerra civil. Quando seja preciso, teremos que utilizar a força contra os colonos de Ofra ou Elon Moreh. Só uma pessoa capaz de avançar sobre Ofra com tanques será capaz de frear a escalada fascista que ameaça com afogar a democracia israeli" (Zeev Sternhell, jornal Davar, Abril 1998).

Isto é, nem mais nem menos, incitação ao assassinato, legitimar o assassinato dos judeus residentes em Judea, Samaria (e depois, Gaza). O sítio para a gente que incita ao assassinato está detrás das reixas.

Dito o qual, os sucessos da passada madrugada devem ser examinados cuidadosamente. Um artefacto explossivo foi abandoado na entrada da casa de Sternhell. Quando estoirou, ele resultou ferido por metralha na perna. A posterióri, um cartaz foi achado perto da sua vivenda oferecendo um milhão de shekels a qualquer disposto a matar líderes de Shalom Ajshav (Paz Agora).

Quais foram as reacções imediatas?: A polícia (seguindo os ditados das cabeceiras principais da imprensa e de internet) concluiu, num tempo récord, que a "extrema direita" era a responsável do ataque, em resposta às opiniões esquerdistas de Sternhell. A reacção em cadeia desatou-se, com entrevistas e comentaristas lembrando o assassinato de Rabin e as provocações da "extrema direita", etc., etc. ad nauseam.

Agora, detenhamo-nos por um instante. Que se passou ontem, ou quiçá o dia anterior a ontem, que puidesse ter provocado que um extremista de direita acorda-se pela manã e decidisse que o tempo era chegado de "pôr a bom recaudo" ao bom profesor? Algo?...Nada!

Daquela, que sucedeu? Por que um extremista de direita de súpeto toma a justiça pela sua mão e intenta assassinar a um anciano? Confissarei-vos a minha impresão: não foi a extrema direita.

Joguemos às adivinhanças. Quem poderia ser o beneficiado? Quem estaria interessado em levantar uma curtinha de fume culpando à direita? (Tede em conta que não há demassiado tempo o chefe da polícia em Hebron afirmou publicamente que a extrema esquerda é muito mais perigosa que a extrema direita). Por que alguém poderia estar interessado em lixar a image da direita israeli? Quando foi a última vez que se dera um intento orquestrado de pôr em questão à direita israeli?

OSLO.

Deslegitimação da direita, preparando o caminho ao abandono continuado de territórios de Eretz Yisrael e à expulsão dos judeus dos seus fogares.

Adivinhade quem lança as acusações?: O Governo Israeli (a sombra alongada de Avishai Raviv!!!).

E para concluir: quem puido realmente ter protagonizado o atentado?
Queridos amigos, isto tem o aspecto do clássico exercício de garderia do Shabak. Fagamos que a outra parte se sinta mal. Deixemos um inofensivo artefacto explossivo na sua casa, causando-lhe danos sem importância mas provocando um grande "big bang", e depois deixemos que os rottweilers (a rádio israeli, televisão, internet, etc) fagam o seu trabalho. E que a opinião pública zurre do lindo a todos esses nojentos direitistas. E depois...Israel seguirá jogando a "cheguemos a um acordo", sem ninguém que moleste na partida.

E agora, a pergunta do milhão:

Que "líder" político israeli trabalhou durante um par de anos com os serviços secretos israelis?

Não, não foi Olmert.

Não, também não foi Mufaz.

Correcto!. A Primeira Dama -a nova Golda-, Mrs. Tzippy.

Shabak Shalom!


DAVID WILDER

(26 Elul 5768 / 26 Setemrbo 2008)

MIRAGRES E MAIS MIRAGRES


Bem, com tudo o que se está passando, deixemos a política por um minuto e falemos de coisas mais grandes e melhores.

Arredor desta época, mentres nos aproximamos ao final de um ano e o começo de outro, um novo ano, muitos pensamentos cruzam as vossas cabeças. Com tantos assuntos diante nossa, é fázil esquecer todo o bom, todo o positivo e, falando de Hebron, as maravilhosas miragres que formam parte de tamanhe maneira da nossa vida cotidiana que, amiúde, damo-las por descontadas.

Foi precisamente nesta época, oito anos atrás, quando começou a Guerra de Oslo (chamada por outros, a Segunda Intifada). Não sou capaz de contar o número de buracos de bala nas casas e carros da gente, que “falharam por uma pulgada”. E essas ainda caberia a possibilidade de contá-las. Mas, que me dizedes da gente caminhando pela rua que foi tiroteada –às vezes nem sequer imaginando quan perto passaram esses projectis para rematar com eles.

Assim tem sucedido, ao longo destes anos. Nunca um momento de trégua, mas também não nunca um momento sem uma miragre.

Isso mesmo se passou hoje.

Aqui, em Beit Hadassah, onde eu vivo, temos um grande pátio exterior. Parte do lugar alberga um grande parque de jogos para as crianças. Na outra zona há um par de colúmpios e bancadas. Quando os dias são agradáveis, ao atardecer, mentres os rapazes estám jogando numa parte, as mães e os mais meninos estám sentados na outra, conversando e disfrutando da queda da tarde.

Hoje não era uma excepção. Um numeroso grupo de mulheres e crianças relaxavam-se lá abaixo, quando de súpeto vários blocos de pedra começaram a chover sobre eles. A edificação de Beit Hadassah está comunicada com a rua por uma longa ponte de pedra que se extende sobre o pátio. Por alguma razão desconhecida, grandes blocos de pedra do lateral da ponte soltaram-se e começaram a cair, justamente onde estavam as mães e os meninos. Uma mulher, miragrosamente, vinha de sacar ao seu pequeno de seis meses do carrinho quando, boom, um bloco de pedra caiu sobre o leito onde segundos antes estava descansando. Outro raparigo de poucos meses estava gateando pelo chão. Um bloco aterriçou e rebotou junto a ele deixando-o intacto. Falade de miragres. Wow!

Outras pedras cairam sobre a entrada dum apartamento familiar. Afortunadamente, ninguém passava por ali nesse instante.

Este é um pequeno exemplo daquilo pelo que temos que estar agradecidos, conforme nos aproximamos ao novo ano. Às vezes observamos miragres e às vezes não somos capazes, mas sempre estám entre nós, e temos muito pelo que estarmos agradecidos.

Quiçá em Hebron este tipo de miragres sã mais tangíveis que noutros sítios. Eu sei que existe um Deus lá arriba que nos protege onde queira que estejamos. E, apesar de todos os roblemas, jamais devemos esquecer-nos de amosar gratidão por todas as coisas boas que Ele faz por nós, e sentir com alegria o privilégio que significa estarmos aqui, fazendo o que fazemos, na cidade sagrada de Hebron.



DAVID WILDER

(21 Elul 5768 / 21 Setembro 2008)


O sítio de notícias israeli na Internet, Ynet (http://ynet.co.il) publicou uma entrada com este encabeçamento: “Abbas quere as suas tropas em Hebron”.

Segundo o autor do artigo, Roni Sofer, “Israel está examinando a possibilidade de ampliar a jurisdicção das forças de seguridade da Autoridade Palestiniana de maneira que inclua Hebron, seguindo uma petição feita pela Autoridade Palestiniana. Isto iria acompanhado de uma reducção progressiva da actividade das IDF na zona”.

O razoamento no que se basea a petição é “evitar que Hebron caia sob controlo de Hamas”.

A reacção israeli, segundo Ynet: “...fontes diplomáticas não rechaçaram categoricamente a proposta, apontando que partes de esta eram essencialmente positivas. As fontes exprimiram o seu apoio à intenção de Fayyad de intensificar a pressão sobre Hamas”.

Há quase 12 anos que Israel entregou mais do 80% de Hebron à “autoridade palestiniana”. Como resultado, a comunidade judea de Hebron ficou submetida aos tiroteios inimigos durante quase dois anos. O Rabino Shlomo Ra’anan foi acoitelado até morrer, Shalhevet Pass foi tiroteado e assassinado. Outros ressultaram feridos. As casas da gentes e os automóveis foram tiroteados no seu interior. Tudo isto, mentres Hebron esteve sob controlo da Autoridade Palestiniana.

Vários assassinatos recentes, incluíndo os de Achikam Amichai e David Rubin vizinhos de Kiryat Arba, e Ido Zoldan de Shomron, foram perpetrados por terroristas de Tanzim: quer dizer, terroristas de base de Fatah.

No momento presente, a cena política israeli está agitada. Olmert cesará em breves horas como Primeiro Ministro. Não está claro que o seu imediato sucessor seja capaz de formar uma nova coaligação ou, se no praço duns meses, os israelis terão de ir novamente a votar. Evidentemente, este não é o momento de começar a fazer experimentos de novo com a vida da gente.

Hebron tem aprendido, demassiadas vezes, o preço de deixar a seguridade das vidas judeas nas mãos do nosso inimigo. Em 1929 perdemos 67 judeus e os sobreviventes foram expulsados da cidade. A continuação da sinatura e posta em marcha dos Acordos de Hebron, em Janeiro de 1997, foi vítima de um ataque imediato. Naquele momento as primeiras armas usadas foram foguetes e bombas incendiárias. Desde Outubro do 2000 até Pesaj do 2002, Hebron converteu-se numa zona de guerra, com ataques praticamente sem trégua efectuados com armas de fogo, dentro e arredor da cidade. Só quando as forças israelis regressaram cesaram os ataques.

Não faz falha dizer que a comunidade judea de Hebron opõe-se vehementemente à proposta esboçada no informe de Ynet, e tomará todas e cada uma das acções necessárias para assegurar que não seja levada a cabo.



DAVID WILDER


(17 Elul 5768 / 17 Setembro 2008)


Recentemente recebim uma série de e-mails, todos com a etiqueta de “urgente”, que tratavam sobre “as conversas secretas” entre Israel e os nossos inimigos. A proposta era ré-envia-los a tanta gente como fosse possível. A linha do Tema punha algo como “Jerusalém está em jogo”.

Por suposto o tema é crítico, mas com toda a devida modéstia, permitide-me que reitere umas quantas lições elementares sobre a diplomácia israeli.

Quando menos desde Oslo, que estoirou com a força de umas quantas cabeças nucleares, não nos podemos permitir o luxo de jogar o papel de inocentes transeúntes. Desgraçadamente ainda queda gente que, ocultos tras a máscara e costumes dos políticos –pretendendo agir como líderes- exclamarão quando achemos as “patacas quentes” como Jerusalém sobre a mesa de negociações que estám dispostos a abandoar a coaligação; actualmente, temos a garantia do Primeiro Ministro de que esses temas não se estám tratando. Parvadas. Como se não o soubéssemos todos.

Não é grato ser um agoireiro, expondo sempre predicções negativas. Mas hoje não se trata de predicções. Qualquer pessoa dotada até da mais torpe capazidade de percepção, comprende o que se está a passar.

Onde nos achamos? Olmert está de retirada. Já seja via judicial, através das primárias, ou por intervenção divina, está acabado. Só há um problema. Quere afundir o barco com ele. Denomina-se regressão, uma degeneração aos velhos tempos. Um dos primeiros exemplos foram as draconianas ordes de expulsão cursadas há escasas semanas a três jóvenes em Shomron. Por regra geral, a medicina israeli não soe praticar demassiado a medicina preventiva; está considerada como muito cara. Mas Israel sim que aplica o que poderíamos denominar “crime preventivo”. Acrescentaria: “crime selectivo preventivo”. Crime de primeira orde. Previndo possíveis distúrbios, mentres os árabes vindimam. A presença destes três jóvenes em qualquer parte de Samária e Judea poderia pôr em perigo a “paz” na área.

(Mas, por suposto, quando se trata de autorizar aos elementos mais extremos da esquerda israeli a manifestar-se em Hebron, incitando aos árabes contra os judeus residentes na cidade e pondo em perigo as suas vidas, bem, esse é-vos outro conto).

As ordes iam assinadas pelo General Gadi Shamni, comandante da região central, mas procediam induvidavelmente de mais arriba, do mais alto nível de Defesa e Inteligência. E são, provavelmente, só o começo.

As novas desbordam-se como um géiser. Barak está falando dos bairros de Jerusalém Leste como parte da capital do Estado palestinião. Ontem [4 de Setembro] soubemos quan generoso é realmente Barak. Subministrando electricidade a Beit HaShalom, embora não sob qualquer circunstâncias. Mas autorizando a entrega aos terroristas de 1.000 rifles mais as suas munições, sem problema [ver entrada a respeito no blogue o passado 5 de Setembro]. E Olmert, junto com o seu melhor amigo (os criminais tendem a se juntarem) Haim Ramon, agarda-se que comeze a negociar o edicto de expulsão/compensação decretado em Gush Katif, mas nesta oportunidade, referido àqueles que vivem em Judea e Samária. A santa doncela de Kadima opõe-se; não, não se opõe ao conceito, senão que mantém que as discussões só podem ter lugar tras o estabelecimento das fronteiras definitivas. Genial!

A sombra da santa doncela -e a sua oposição nas primárias- também se opõe; a discussão não faz senão debilitar as posições de Israel. Que posições? Que negociações, Sr. Mufaz?

E o Likud? Podemos atrever-nos a acreditar em qualquer coisa que digam durante a actual etapa pré-electoral?

(Ainda queda alguma gente sensata no Meio Leste, como o presidente sírio Bashar Assad, que vem de cancelar a seguinte rolda de conversas sírio-israelis sobre o abandono do Golão, devido à “situação política” em Israel. Se pelo menos ele fosse membro do Gabinete israeli!).

Mas o autêntico problema deve ser encarado. E não é a renovada discussão sobre a expulsão/compensação, nem a divisão de Jerusalém, nem sequer os enormes esforços de Olmert por alcançar um princípio de acordo com Abu Mazen prévio às primárias em Kadima.

Não é que Jerusalém não esteja sobre a mesa; está. Não é que Judea e Samária não estejam sobre a mesa; estám. Mas são o aperitivo e o primeiro prato. Não devemos esquecer jamais que o prato principal é A TOTALIDADE DE ERETZ YISRAEL. Isto é o que querem, e não se privam de manifestá-lo.

Tenho um mapa [ver image] procedente da Casbah de Hebron, que é um mapa de “Palestina”.

Do Norte ao Sul, do Leste ao Oeste, todo o Estado de Israel, todo Eretz Yisrael = Palestina. Isso é o que querem e isso é o que pretendem conseguir, e nós seguimos-lhes o jogo.

Não há necessidade de procurar conversas secretas com Abu Mazen, Assad ou qualquer outro. É um aspecto presente permanentemente na nossa realidade. Assim funcionam as coisas. E a pessoa que dirige esta orquestra é Ehud Olmert.

Nada lhe gostaria mais a Olmert que abandoar o seu despacho num aura de glória: um acordo com a facção Fatah da Autoridade Palestiniã, com Síria e, quem sabe, se quiçá realmente está mantendo conversas secretas com nada menos que o Presidente Iranião Mahmud Ahmadinejad?

Para além de tudo isto, devo admitir que o que realmente me irrita mais de Olmert é o seu incrível descaro de iniciar discussões para a expulsão de Yesha só uns dias antes da conclusão do seu catastrófico mandato. Existe um acordo quase unânime de que o abandono de Gush Katif foi um erro desastroso. Muitas, demassiadas, das quase 10.000 pessoas expulsadas das suas casas e trabalhos, estám ainda sem casa nem trabalho. E ainda Olmert e os seus amigos querem repetir. Impossível de entender.

Agás...

Existe uma explicação. Olmert foi um dos primeiros promotores e partidários do fiasco de Gush Katif. As suas decisões durante a Segunda Guerra do Líbano custaram muitas vidas israelis. Está a ponto de ser processado por crimes repulsivos cometidos a título de “servidor público”.

Tudo isso fai-no merecedor de uma espaçoso lugar na mais profunda e escura gruta do porvir. Mas isto semelha não ser suficiente para ele. Simplesmente está procurando um lugar melhor e mais grande no Inferno.



DAVID WILDER

(5 Elul 5768 / 5 Setembro 2008)

GUERREIROS DA NOSSA TERRA






Esta manhá contaram-me uma história assombrosa, que nunca escuitara antes. Estava sentado com o meu bom amigo e profissor, o Rabino Yisrael Shlissel, Deám do Centro de Estudos Ohr Shlomo em Tel Rumeida. Eu vinha de contar-lhe um dos vários feitos espantosos acerca do tiroteo da sexta-feira, quando dois jóvens de Kiryat Arba foram assassinados por terroristas árabes. Nas notícias de esta manhá os árabes proclamavam que Achikam Amichai e David Rubin não foram assassinados pelos terroristas. Mais bem trataria-se dum incidente com motivações criminais. O locutor partidário dos terroristas veu dizer que se tratara de um trapicheo de drogas complicado no que remataram disparando-se um ao outro.

Como resultado destes cárregos, na noite da sexta, pouco depois do começo do Sabat, a polícia irrompeu na morgue de Kiryat Arba, espiu aos dois homens mortos, tirou-lhes fotografias e tomou as marcas dactilares, a fim de investigar qualquer antecedente “criminal” ou um passado “relacionado com as drogas”.

Suficiente para revolver o estómago.

Quando rematei de contar-lhe isto ao Rabino Shlissel, relatou-me a sua história. O Rabino é, a propósito, genro do assassinado Rabino Shlomo Ra’anan, que foi apunhalado até morrer no seu fogar de Tel Rumeida por um terrorista árabe nove anos atrás.

O Rabino Shlissed contou-me que na semana de luto posterior à morte do seu sogro, a polícia ordeou à viúva do Rabino assassinado, Chaya Ra’anan, que os acompanhasem ao quartel de polícia para contestar algumas perguntas. Ela estivera presente no momento do assassinato e intentara salvar ao seu marido, em vau. Accedeu e uma vez ali sentou-se ante um investigador nas instalações da polícia local. Quando a sua linha de interrogatório começou a ficar clara, ela ergueu-se abruptamente e marchou. O oficial de polícia estava fazendo-a suspeitosa de ter assassinado ao seu marido (incluíndo estoirar uma bomba incendiária para arrassar o seu fogar-caravana), e “fingir” que se tratara de um ataque terrorista.
Demassiado para a nossa maravilhosa polícia israeli, que suspeita que as vítimas do terrorismo são criminais, e que deixa espidos e tomas pegadas dactilares a israelis mortos suspeitando que são criminais.

Dificil de acreditar. Mas o relato é verídico. Este é o país no que vivemos.

É muito similar aos cárregos dos oficiais das IDF, que vinham dizer entre linhas, que os dois homens e as duas jovens mulheres que os acompanhavam não deveriam ter estado onde estavam, ou que devriam ter recebido previamente o OK do exército. Se o tivessem feito ainda estariam vivos.

Pode ser mas, quem teria sido assassinado naquele lugar? E por que os judeus que vivem em Eretz Yisrael têm que obter permisso para caminhar pelo seu próprio país? Os assim chamados “líderes” do nosso país estám intentando fechar-nos num ghetto, ou quiçá algo mais pequeno que um ghetto. Prefeririam encerrar-nos e botar bem longe a chave. Isto é “viver”?, isto é ser “gente livre na nossa terra” como recitamos no hino nacional israeli, HaTikvah?

Ressulta manifesto que o Governo israeli tem debuxadas as fronteiras para o presto a nascer “Estado palestinião”, que Deus proibe. Qualquer que conduça um carro dentro de Judea, desde Jerusalém, ou através da autoestrada Transjudaica desde o oeste, terá que passar um “controlo-de-fronteiras”, preparado para comprovar passaportes e evitar que os “indesejáveis” entrem em “Palestina”. Deus nos asista!

O novo Primeiro Ministro da terrorista Fatah seica dixo que as mortes “entristecem” aos palestiniãos. E, por suposto, que os “entristece”. “Entristece-os” que só morreram duas pessoas, e não mais. A fim de contas, havia três judeus no lugar; por que não se acabou com a terceira pessoa também?!

Não há muito tempo escrevim que os EEUU são o nosso inimigo. Isto trascendeu e ofendeu a alguma gente. Quiçá devim ser mais específico. Não toda a gente dos EEUU são inimigos nossos.Mas a Administração dos EEUU? Que dizedes? Não podo me retractar no que é verdadeiro.

Actualmente existem três forças que agem contra Israel, duas no exterior e uma interna. Desde o exterior está Ismael, representado hoje em dia pelo mundo árabe, representado pelo Führer do Iran, o diablo de Al-Qaeda, e os nossos “sócios de paz” na ruta, que são os mais sofisticados. Os dois primeiros não se ocultam tras sutilezas. Eles berram bem alto: Vamos borrar os judeus do mapa.O terceiro grupo prefere o método Cavalo de Troia, tal e como admitiu o “homem de Estado de talha internacional” Feisal el Husseini, justo antes de morrer, e ser relevado por um dos seus sucessores, Sari Nussebah, que declarou recentemente que os judeus não têm sítio em Jerusalém, Hebrom ou Jaffa.

O segundo grupo é Asav (Esau), representado hoje pelo “mundo occidental”, nomeadamente, Europa, a ONU e, na cima de todos, os EEUU. Quando a Secretária de Estado do mais grande poder do planeta compara a situação dos palestiniãos com a discriminação contra os negros nos EEUU, quando o Embaixador dos EEUU em Israel se reune com o Presidente da Corte Suprema israeli para charlar “sobre os territórios ocupados”, quando o Presidente dos EEUU é categórico na sua intenção de erguer um novo Estado terrorista no mundo antes de abandoar a Casa Branca, ao preço que seja, a agenda está clara. Bush não vai vir a Israel num par de semanas a tomar o sol em Eilat. Vai vir a exercer toda a pressão que lhe seja possível para arrancar mais concessões israelis, num intento de impôr-nos o “processo de paz”. Israel deveria ter o valor de dizer “não”; mas Bush tem posto demassiado prestígio em jogo para que os líderes israelis se atrevam a questionar as suas exigências. Bush está, actualmente, liderando um ataque frontal contra Israel usando, não bombas nucleares, senão a diplomacia como arma principal. Isto é, quiçá mais perigoso que uma bomba nuclear; com uma bomba sabes contra o que te enfrontas; com as declarações só podes especular sobre o significado e as implicações dos resultados pretendidos. Se isto não é um inimigo, não sei o que o é.

Porém, há uma terceira força intentando arrinconar a Israel. Essa força somos, por suposto, nós próprios. Não, não todos nós. Senão aqueles que se supõe que “dirigem” à gente, que de facto nos dirigem, mas na direcção errônea. Mais que portadores de fortaleça, coragem e orgulho, são derrotadas versões de justo tudo o contrário. O liderádego israeli tem estado levando nos últimos anos ao nosso povo e o nosso país a um beco sem saída, uma ruta suicida, que nos levou a Oslo, Hebron, Wye River, e agora a Annapolis, a traição suprema de tudo pelo que tem luitado sempre Israel.

Achikam Amichai e David Rubin eram guerreiros. Ambos serviam em unidades de elite, um na armada e o outro na força aérea. Estavam entrenados para proteger o seu país, para proteger a sua gente, para fazer o que for necessário para derrotar o inimigo. Sofreram um ataque surpresa, mas não desesperaram. Quando menos dois dos terroristas que os atacaram morreram; quiçá inclusso um terceiro também. Durante o tiroteo cairam, mas salvaram a vida de uma jovem que estava com eles. Se não tivessem repelido a agressão, teriam morto sem combater, e ela, quase com total seguridade, teria morto também. Sabiam que as apostas estavam em contra, mas não quigeram cair sem abrir fogo.

O seu amor pela terra, pela sua gente, pelas suas crênças, a sua coragem, as suas próprias vidas, é a quitaessência da judeidade em Israel; esse é o verdadeiro liderádego; essa é a maneira em que um judeu deveria viver hoje em dia.

Pode que tenhamos perdido a dois dos melhores, mas temos, mirade-nos aos olhos, os judeus israelis do futuro. Não Olmert, Peres, Livni, não Mazuz, Beinish ou Barak, senão gente como Achikam e David, eles são o nosso futuro.

Achikam significa “meu irmão tem-se erguido”; David, o eterno Rei de Israel. Achikaim é irmão de todos nós, ergueu-se contra o terrível da vida cotidiana, para entregar a sua vida pelo seu povo, pela sua terra, pelo seu Deus. David exemplifica a bravura do seu homónimo. Deixade que as suas vidas e memória sejam uma benção para todos nós; aprendamos da sua actitude e sigamos a senda que marcaram ante nós.

Benções desde Hebron


DAVID WILDER

(O artigo publicou-se em Dezembro de 2007)

DEZ ANOS SEM O RABINO SHLOMO


Amanhã, Sabat, cumprirão-se dez anos. Dez anos atrás, uma quinta, a véspera do primeiro dia do último mes do calendário hebreu, Ma’arat HaMachpela, a tumba dos Patriarcas e Matriarcas foi aberta na sua totalidade para a oração dos judeus. Pela tarde o rabino Ovadia Yosef chegou a Hebron, a primeira vez que visitava a cidade e o lugar sagrado tras muitos anos. Arredor das 11:00 p.m., segundo concluia de falar aos centos de congregados os móveis começaram soar. Um terrorista infiltrara-se no vizindário judeu de Tel Rumeida. Imediatamente Ma’arat HaMachpela ficou vazia e os residentes de Hebron emprenderam caminho face Tel Rumeida. Os detalhes começavam a chegar: a vítima fora o Rabino Shlomo Ra’anan, de 63 anos e neto do primeiro Rabino Chefe de Israel, Rav Avraham Yitzhak HaCohen Kook. O terrorista acoitelara-o. Correndo de caminho desde a Ma’ara em direcção ao vizindário chamei a um amigo, vizinho dos Ra’anans e também paramédico. “Como se acha?” perguntei. David contestou-me, com uma voz apenas audível: “Não houvo nada que pudessemos fazer, não pudemos fazer nada para salvá-lo. Morreu”.

Os soldados ao pé da colina que precede Tal Rumeida intentavam evitar que subíramos, mas eu não estava disposto a atender as suas demandas. Correndo, cruzando a rua, escabulhim-me dos seus agarrões e subim até a cima. Segundo cheguei, a Rebbetzim Chaya Ra’anan, viúva do Rav Shlomo, era introduzida numa ambulância. Não estava claro se também ressultara ferida, mas sem dúvida se achava sob o shock.

No interior do vizindário cheirava a lume recém extinguido. O terrorista, procurando a massacre, arrojara um cóctel molotov no interior do fogar-caravana, agardando que o consumissem as lapas. Afortunadamente os vizinhos foram quem de o extinguir antes que se propagar a outras caravanas. A Rabbetzin Chaya intentara sacar ao seu marido, ferido já de morte, antes que as chamas arrasassem o comedor. Só minutos antes estivera envolvida numa luita feroz com o terrorista, com o seu fatalemente ferido marido no meio, saíndo empurrada por ambos os dois. O terrorista portava um coitelo e apunhalou à vítima repetidas vezes no coração, assassinando-o. Logo saltou por uma janela e correu atravesando a rua, apenas uns metros, refugiando-se na zona baixo controlo árabe de Hebron, entregada à Autoridade Palestiniã apenas um ano antes. Dacordo com os Acordos de Hebron, as forças de seguridade israelis têm proibido entrar nesse área nem para perseguir delinquentes. A resultas disso, o mesmo terrorista perpetrou um segundo ataque em Yom Kippur, umas seis semanas depois, ferindo uns vinte soldados. Também não detido dessa vez, semanas depois trasladou-se a Beer Sheva, com intenção de arrojar algumas granadas de mão no interior da estação de autobuses da cidade. Só então puido ser detido e conduzido a prisão.

O rabino morto jazia no chão junto à sua casa, coberto com uma manta. Um pouco depois foi metido numa casa, e o seu cadavre arrodeado de velas. Passei a noite na oficina olhando uma foto que lhe figera não muito tempo atrás. Â manhá seguinte o funeral começou em Tel Rumeida e rematou em Jerusalém, onde foi soterrado em Har HaZaytim –o Monte dos Olivos, próximo aos seus ilustres avó e tio, os Rabinos Avraham Yithzak HaCohen Kook, e Zvi Yehuda Kook.

A minha reacção foi quase instantânea: eu estava daquela negociando por um apartamento vazio em Hebron. Não houvo nada mais que negociar, nem mais perguntas: uma semana depois a minha família transladou-se de Kiryat Arba, onde vivíramos 17 anos, a Beit Hadassah. Eu estivera trabalhando aquí quatro anos, assim que era em certo modo uma clausura. Sentim que regressava a casa.

Por que? Muito simples: os terroristas utilizam o assassinato e outras formas de violência como um intento de obrigar-nos a marchar. A única reacção adequada é fazer o contrário; não marchar, senão nos aproximar mais. Isso foi exactamente o que figemos.

Ontem, celebrando o 10º aniversário do assassinato do Rabino, um nutrido grupo de gente congregou-se no Centro Gutnick, no exterior da Ma’arat HaMachpela. Só uns metros além, milheiros estavam visitando o lugar sagrado; sendo a véspera do novo mes de Elul, o edifício inteiro estava aberto aos fideis judeus. Exactamente como aquele fatídico joves de dez anos atrás.

Durante umas horas vários importantes Rabinos entregaram palavras de conforte e palavras da Torá aos presentes, incluíndo os membros das famílias Kook-Ra’anan-Shlissel, e muitos outros que vinheram a apresentar os seus respeitos ao Rabino e família. Os oradores incluiram ao Rabino Eliezer Waldman, Rosh Yeshiva da Yeshiva de Kiryat Arba, o Rabino Hananel Etrog, Rosh Yeshiva da Yeshiva Shavei de Hebron, em Beit Romano –Hebron-, o Rabino Doron Avichzar, Deám da Academia Netivot Dror Torá na comunidade de Telem, e Noam Arnon, que disertou sobre a conexão entre o Rabino Kook e Hebron.

Sem embargo, o orador mais importante , na minha opinião, foi Michael Hershlovitz, Rabino da comunidade Neria da região de Binyamin, e mestre na Yeshiva Merkaz HaRav de Jerusalém. O tema da sua dvar Torá foi absolutamente adequado: o ensino da Torá é importante, mas não menos importante é obrar, implementar o que aprendes. Falou em profundidade descrevendo como o Rabino Shlomo Ra’anan fixo precisamente isto: viver numa caravana na comunidade Hadar Adar e procurando isso, transladar-se a outra caravana no vizindário de Tel Rumeida, em Hebron.

Durante anos o Rabino estudou e encheu de sentido o assentamento na terra de Israel, Eretz Yisrael. Mas percebindo que as palavras não são suficiente continuou a senda das ensinanzas do seu avó e tio, não só falando senão fazendo. Isto é a Torá.

Não é fázil viver em fogares-caravana. Tel Rumeida, dalguma maneira isolada dos demais vizindários de Hebron, não é o lugar mais prázido para viver. Cada manhá, chova, neve ou brilhe o sol, o Rabino baixava a colina para orar com os mais madrugadores, um grupo de dez homens. Cada dia transladava-se e regressava da Yeshiva de Merkaz HaRav em Jerusalém, onde participava no estudo da Torá e na instrucção. Nada singelo para um homem entrado nos sesenta anos. Mas o Rabino sempre tinha um sorriso no rosto, e conhecia a todos os rapazes de Hebron pelo seu nome, sempre presto a ajudar, com uma personalidade afável, que conciliava humildemente com o seu génio para a Torá.

Concluíndo as suas observações, o Rabino Hershovitz acrescentou, “Rabino Shlomo, quero que saibas, inclusso a pesar de que provavelmente saibas de onde ti es, que a tua extensa família tem continuado as tuas pegadas, seguindo o teu exemplo de Torá e feitos, assentando-se na terra, Eretz Yisrael, como ti figeste”.

A Rebbetzin Chaya, sentada com a sua irmá Tzippy –ambas vivem hoje em Tel Rumeida- a escasos metros de onde fora assassinado o Rabino, a pesar da dor, não puido senão sorrir, sabendo que a senda que tomaram ela e o seu marido está a ser continuada pela sua prole.

A presença do Rabino puido sentir-se firmemente entre os participantes, que sem embargo sentem ainda a dor da sua morte e o vazio que o seu assassinato deixou, para a sua família, para os seus amigos e vizinhos, e para todo Am Yisrael.
Zechar Tzadik l’vracha – HaShem Yikom Damo.



DAVID WILDER

(29 Av 5768 / 30 Agosto 2008)

GESTOS


Esta tarde um grupo de pessoas reuniram-se no velho cimitério judeu de Hebrão para participar num serviço em memória do aniversário do assassinato do residente em Hebrão Elazar Leibovitch, há seis anos. Assassinados ao mesmo tempo foram três membros da família Dickstein –a mãe, o pais e um jovem filho.

Elazar Leibovitch foi assassinado, segundo o calendário hebreu, no dia 17 do mes de Av. Na mesma data, e quase à mesma hora, Shmauel HaLevy Rosenhaltz, chamado “O Matmid” –o perpétuo estudante-, foi a primeira vítima das revoltas e massacre de 1929 em Hebrão. Ao dia seguinte, outros 66 homens, mulheres e crianças foram assassinados. Amanhã um grupo de gente reunirá-se no mesmo cimitério, a só uns metros da tumba de Elazar, e lembrarão o 79º aniversário de tão terrível sucesso.

Esta semana o Governo israeli decidiu comemorar estes dois eventos de uma maneira excepcional. Aprovaram libertar 200 terroristas, como gesto de “boa vontade” face o negador do Holocausto, Abu Mazen, actual cabeça vissível da autoridade palestiniã. A fim de expressar o seu apoio a um tipo que ódia aos judeus respeito de outros que também ódiam aos judeus (Hamas), o Governo israeli libertará 200 terroristas da sua prisão. Não só Israel não vai obter nada a câmbio; nem sequer tem reclamado nada a câmbio. Que poderia Israel atrever-se a reclamar? Quiçá coisas insignificantes, como a plena cooperação de Abu Mazen para lograr a libertação do prisoneiro de guerra israeli Gilad Shalit. Mas não, seria demassiado pedir. Esta vez Israel tem que entregar algo a câmbio de nada, demonstrando assim aos seguidores de Abu Mazen -e aos que não são tão seguidores- o bom que ele é, o poderoso que é, quanto pode retorzer o longo braço do inimigo sionista logrando que soltem a uma legião de assassinos. Sem pagar preço algum.

Por suposto que, na sua opinião, isto não é suficiente. Todos os prisoneiros devem ser libertados, incondicionalmente. Mas, este é um bom começo, um passo na direcção adequada.

Esta é a forma em que a administração Olmert está celebrando o 79º aniversário das revoltas de 1929, instigadas e iniciadas por Amin el-Huseini, que mais tarde se reuniu com Hitler em Berlin, formou as Brigadas Muçulmãs, e elaborou planos para aniquilar a todos os judeus que viviam em Eretz Yisrael, quando agardavam que Rommel a invadira durante a 2ª Guerra Mundial. O sucessor directo de Amin el-Huseini foi o predecessor de Abu Mazen, Arafat. Abu Mazen intenta seguir firmemente as suas pegadas.

Porém, a decisão governamental não foi suficiente para celebrar tão sinalada ocasião. Tinham que ir um pouco para além, clavar o coitelo um pouco mais adentro.

A regra habitual no referente à libertação de presos ao longo dos anos tem sido evitar a libertação de terroristas com “as mãos tingidas de sangue”. Noutras palavras, aqueles que só ajudaram, ou que apenas intentaram matar mas sem éxito, e casos semelhantes, recebiam o visto bom para ser libertados. Mas aqueles que apretaram o gatilho, esses eram outro conto. Isso era o habitual, até hoje. Por vez primeira, o Governo israeli decidiu libertar a um par de “autênticos terroristas”, dos que chegaram até o final, e perpetraram o nojento acto até o seu máximo grau.

Assim que, quem está sendo libertado para celebrar o aniversário dos assassinatos de Hebrão? Um dos dois é Ibrahim Mahmoud Mahmad, quem vinte anos atrás assassinou a Yehoshua Saloma, um jovem estudante da Yeshiva de Kiryat Arba. Saloma, um recém chegado imigrante de Suécia, que viajou só a Israel, entrou em Hebrão desde Kiryat Arba para comprar alguns frutos secos com os que celebrar a festividade de Tu B’Shvat. Mentres fazia a compra na Kasba de Hebrão, foi brutalmente assassinado pela espalda por Ibrahim Mahmoud Mahmad. Saloma já está morto. Mahmad está ainda vivo; e se Olmert e os seus aliados têm oportunidade, estará em liberdade muito cedo. Esta é a mensagem dirigida ao mundo que Israel está proclamando nos dias em que Hebrão rememora o assassinato de 68 judeus às mãos dos árabes: 67 em 1929, e Elazar Lebovitch, há seis anos.

É importante sinalar: Yehoshua Saloma foi o primeiro judeu assassinado em Hebrão desde as revoltas de 1929. O seu ejecutor está a piques de ser posto na rua pelo Governo israeli. Podedes imaginar a Israel libertando a algum dos bárbaros que figeram uma carneçaria de judeus durante as horas daquele sábado de verão em 1929? Qual é a diferença entre os selvagens de há 79 anos, os bárbaros de há 20 e os de há tão só 6, ou os bárbaros de hoje?

Qual é a diferença, perguntades? Muito simples. Em 1929 podíamos (com toda justiça) botar a culpa aos britânicos.

Hoje, a quem podemos culpar? Só necessitamos olhar no espelho e sinalar com um dedo à image reflexada.

Mas, uma vez mais, é tão só um gesto.



DAVID WILDER *

17 Av 5768 / 18 Agosto 2008


* David Wilder e membro da comunidade judea de Kyriat Arba e promotor do Hebron Internet Project